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Últimas do escândalo Parmalat

Agência Estado
27 de janeiro de 2004
14h33

Parmalat: transportadora de leite do RS acusa falta de pagamento

Porto Alegre, 27 - Pelo menos uma das principais transportadoras da Parmalat no Rio Grande do Sul não recebeu da empresa o pagamento da parcela que venceu ontem. "A Parmalat prometeu apresentar uma solução para o problema amanhã", diz Walmor Scapini, sócio-diretor da Scapini, que transporta metade da produção de leite UHT da fábrica da empresa em Carazinho (RS). Segundo ele, não ficou claro se a "solução" é a quitação das dívidas vencidas ou alguma proposta de renegociação dos débitos. "Não havendo pagamento não teremos como manter as entregas", afirma. Scapini diz que o serviço vem sendo prestado normalmente e pode ser redirecionado a qualquer momento, escapando de futuros prejuízos. "Operamos em vários setores, como o fumageiro, petroquímico e de higiene e limpeza. É só mudar a rota dos caminhões e seguir trabalhando", disse. Scapini Transportes e Giovanella são responsáveis por 80% do transporte de leite da unidade da Parmalat em Carazinho. Mas na Giovanella a situação é bem melhor, segundo seu diretor, Archides Giovanella. "Nossos recebíveis estão normais", limita-se a dizer. Na semana passada, ele informou que o pagamento do dia 10 de janeiro tinha sido parcial. Ele também não quis dizer se houve depósito ontem. "Não podemos falar em pagamento, que só interessa à nossa empresa", disse.
Maria Alice Rosa
27 de janeiro de 2004
14h58

Parmalat: Orlândia suspende entrega de gordura hidrogenada

São Paulo, 27 - A Orlândia, fabricante de gordura hidrogenada com sede na cidade homônima do interior paulista, era um dos fornecedores da Parmalat. A dívida herdada de dois meses de fornecimento, totalizando 200 toneladas, soma R$ 900 mil e será provisionada (registrada como despesa) no balanço de 2004 da sociedade anônima de capital fechado. O fornecimento da gordura
hidrogenada à fábrica de biscoitos da Parmalat em Jundiaí (SP) ocorreu desde o mês de outubro até o dia 12 de dezembro, quando parou por falta de pagamento. O responsável pelo departamento de crédito da Orlândia, João Leite, disse que as outras fornecedoras locais de gordura hidrogenada são as multinacionais Bunge e Cargill. Consultada sobre a manutenção do fornecimento, a Bunge informou que não comenta assuntos comerciais relativos a seus clientes, conforme estabelece o código de ética da companhia. A Cargill, também consultada, não disponibilizou fonte para falar sobre o assunto. "Todos os fornecedores da Parmalat estão cessando as entregas, o que indica que a empresa pode parar até o final de fevereiro", sublinhou Leite. Segundo ele, a Parmalat não negociou pagamento da dívida com a Orlândia.
Viviane Mottin
27 de janeiro de 2004
17h09

Parmalat: empresa no Brasil obtém duas vitórias na justiça

São Paulo, 27 - A Parmalat do Brasil teve hoje duas vitórias na Justiça: o desbloqueio parcial de sua conta corrente no Banco do Brasil e o indeferimento de mais um pedido de arresto de bens. O desbloqueio parcial da conta bancária foi determinado pelo juiz Vasconcelos Boselli, do 1º Tribunal
de Alçada Civil (TAC). A Parmalat tinha, em depósito no Banco do Brasil, cerca de R$ 12 milhões, e pediu a liberação do dinheiro para pagar produtores de leite. O banco se recusou, alegando que havia descontado da conta bancária cerca de R$ 6 milhões, por conta de uma operação de empréstimo. Agora, Vasconcelos mandou o banco liberar o saldo, e o proibiu de fazer futuros descontos relacionados ao empréstimo. Na 6ª Vara Cível, o juiz Cláudio Teixeira Villar extinguiu, sem julgamento de mérito, ação cautelar de arresto proposta contra a Parmalat pela Rana Transportes Rodoviários Ltda. A Rana queria o bloqueio de R$ 825 mil na conta bancária da Parmalat, na Nossa-Caixa/Nosso Banco ou junto ao Programa Viva Leite, da Secretaria da Agricultura. A dívida é objeto de uma ação de execução por título judicial proposta há vários anos pela Rana, desde o tempo em que o Grupo Parmalat era representado no Brasil pela Yolat Indústria e Comércio de Laticínios. A Parmalat vai recorrer ao 1º Tribunal de Alçada Civil (TAC) contra decisão do juiz da 9ª Vara Cível, Mauro Conti Machado que, na segunda-feira, mandou bloquear as mercadorias acabadas e estocadas na unidade da Parmalat de Jundiaí, no valor de R$ 10.416 milhões, bem como R$ 13.234 milhões na conta da Parmalat, na agência Ibirapuera do Banco do
Brasil. O bloqueio visa garantir o pagamento de financiamento concedido pelo banco à empresa, em 20 de fevereiro de 2003, para viabilizar sua linha de comercialização, beneficiamento e industrialização de produtos. Carta precatória foi expedida hoje ao Fórum de Jundiaí, para cumprimento do mandado de arresto.
Thelio Magalhães
http://www.reuters.com.br
Agência Reuters
Parmalat vai recorrer de arresto de ativos no interior de SP
27 Jan 2004 17:51
Por Carlos A. DeJuana
SÃO PAULO, 27 de janeiro (Reuters) - Os advogados da Parmalat no Brasil vão
recorrer da decisão da Justiça de arrestar ativos em uma unidade no interior
de São Paulo como garantia de dívida de 23,7 milhões de reais com o Banco do
Brasil .
Na segunda-feira, o juiz Mauro Conti Machado, da 9a Vara Cível de São Paulo,
deu liminar autorizando a venda de todos os bens da fábrica da companhia em
Jundiaí. Isso porque a Parmalat Brasil S.A Indústria de Alimentos não
manteve em estoque valor equivalente a 143 por cento do montante da dívida
com o Banco do Brasil.
Em sua ação, o banco anexou uma vistoria realizada na fábrica --que produz
sucos, chás e biscoitos-- em 13 de janeiro. Foi constatado estoque de 10,4
milhões de reais, menos de um terço do estabelecido como garantia mínima ao
empréstimo do BB, cujo vencimento final é no dia 13 do mês que vem.
"Como se vê, a diminuição progressiva do estoque é notória, até mesmo por
conta da noticiada paralisação das unidades produtivas em docorrência da
falta de matéria-prima. Assim, em questão de dias, tudo indica que o estoque
estará pulverizado e totalmente desguarnecida a garantia do banco", segundo
processo do BB ao qual a Reuters teve acesso.
A instituição financeira --que mantém retidos 13,2 milhões de reais da
Parmalat em uma conta corrente-- entrou com o pedido de arresto dos bens da
empresa de alimentos em Jundiaí na última sexta-feira.
A decisão vem em um momento no qual a subsidiária brasileira da Parmalat
precisa de dinheiro rapidamente para manter suas oito fábricas no país
funcionando e para pagar fornecedores. Alguns deles não recebem pagamento da
empresa desde a revelação do buraco multibilionário no balanço da matriz
italiana, em meados de dezembro.
O escândalo deflagrou uma intensa investigação sobre fraude na Itália e
inquéritos policial e parlamentar no Brasil, onde a empresa tem 6.000
empregados e que responde por um décimo da receita global do grupo.
Desde o início da crise, a Parmalat Brasil vem enfrentado processos
judiciais de seus fornecedores, incluindo uma série de pedidos de falência.
Um comitê de bancos está negociando com a Parmalat Brasil para ampliar o
crédito à companhia para garantir a continuidade de suas operações. Um dos
advogados da empresa disse à Reuters na segunda-feira que os bancos que
devem fazer novos empréstimos à companhia são Citigroup , Bank of America e
Standard Chartered .

http://www.aeagro.com.br
Agência Estado
27 de janeiro de 2004
13h39

Leite: OCB diz que safra acentua efeito da crise da Parmalat

Brasília, 27 - A crise da Parmalat representa uma preocupação maior para o
setor de laticínios por causa do momento em que eclodiu, durante a fase de
maior produção de leite, avaliou hoje o presidente da Organização das
Cooperativas do Brasil (OCB), Márcio Lopes de Freitas. "Provavelmente se
tivéssemos este problema daqui a dois ou três meses seria muito menos
visível", comentou. Freitas afirmou que o setor torce pela recuperação da
Parmalat, mas lembrou que isso depende de desdobramentos da crise no
exterior. O dirigente observou que as cooperativas trabalham pela
reestruturação do setor desde 2002. Há 353 cooperativas que atuam com leite
no Brasil e elas querem reconquistar a parcela de mercado perdido para
outras empresas. As cooperativas já representaram 60% do mercado de lácteos
e atualmente respondem por cerca de 40%, comparou Freitas. "O problema da
Parmalat aconteceu durante este processo que já está sendo desenhado",
afirmou. As cooperativas de leite estão reunidas hoje em Brasília, na sede
da OCB. Freitas fez a abertura do encontro, antes de participar da audiência
com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues. Um dos pontos em discussão
é a definição de um indicador setorial, que pesquisará o preço de insumos,
do leite na fazenda, do produto cru e dos principais derivados no varejo,
informou o vice-presidente da Itambé e coordenador da Câmara de Leite da
OCB, Jacques Gontijo. As cooperativas discutiram esta manhã a metodologia de
cálculo deste índice. Para elaborar o cálculo, está sendo contratado o
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de
São Paulo (USP). Gontijo previu que a coleta de informações será feita em
fevereiro - em seis ou sete Estados, faltando definir a presença de Santa
Catarina - e em março deve ocorrer a primeira divulgação. Alguns itens que
mudam com freqüência poderão ter pesquisas quinzenais, como o preço ao
produtor e o preço do leite spot, disse Gontijo. O presidente da OCB avaliou
que o fato de contar com um indicador setorial representará o primeiro passo
para a reestruturação. "A informação é o insumo básico para a decisão
estratégica", disse Freitas. (segue)
Sandra Hahn
Leite: setor deve desenvolver mercado futuro, avalia Itambé

Brasília, 27 - O fato de contar com um indicador setorial irá credenciar o
setor produtivo de leite a desenvolver um mercado futuro, avaliou hoje o
vice-presidente da Itambé e coordenador da Câmara de Leite da Organização
das Cooperativas do Brasil, Jacques Gontijo. "O setor gostaria que o leite e
alguns derivados tivessem mercado na BM&F e, para isso, precisa contar com
um índice confiável", afirmou. Os dados vão permitir às cooperativas uma
integração horizontal para a comercialização do produto, estimou Gontijo. As
cooperativas discutiram a metodologia de cálculo do indicador durante
reunião esta manhã na sede da OCB, em Brasília. O encontro prossegue à
tarde. (fim)
Sandra Hahn

O Estado de São Paulo
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2004
Juiz pode decretar a falência da empresa no Brasil esta semana

Magistrado manda notificar a controladora do grupo no País, que tem 48 horas
para defesa
PRISCILLA MURPHY e THÉLIO DE MAGALHÃES
O juiz da 4.ª Vara Cível da Capital pode decretar a falência do Grupo
Parmalat no Brasil nos próximos dias. Ontem, o juiz substituto Cláudio
Teixeira Vilar mandou notificar a Parmalat de um pedido de falência,
apresentado pelo Banco Fibra na sexta-feira, contra a holding que controla
as empresas do grupo no País, a Parmalat Participações do Brasil Ltda. Ela
deve ao banco R$ 1 milhão, referente a um empréstimo de capital de giro cujo
contrato está vencido desde 17 de dezembro.
A partir da notificação, a Parmalat tem 48 horas para anexar documentos ao
processo, na tentativa de convencer o juiz a não decretar a falência, ou
pagar a soma devida. Depois de 48 horas, o juiz decide se decretará a
falência.
Embora o pedido de falência seja contra a holding - e não a empresa
operacional, a Parmalat S.A. -, as operações da companhia no Brasil
certamente seriam afetadas, diz um especialista. "A holding não tem
dinheiro, e se o juiz decretar sua falência, vai estendê-la a todo o grupo",
incluindo a Parmalat S.A., seu principal ativo no Brasil, diz o
especialista, que acompanha de perto o caso da empresa.
Quando o Banco Fibra pediu a falência da holding, a Parmalat S.A. já
enfrentava 4 pedidos de falência menores, cujo maior valor cobrado estava em
cerca de R$ 100 mil. Mas o pedido feito na 4.ª Vara Cível acabou tramitando
mais rapidamente que os outros, que estão na 29. ª Vara Cível e ainda não
chegaram à fase de intimação.
A direção da Parmalat S.A. vem se esforçando para diferenciar a unidade
operacional da companhia de outros ativos do grupo no Brasil, incluindo
empresas que aparentemente foram transferidas para testas-de-ferro, como a
Carital do Brasil, que representou a Parmalat em negócios relacionados ao
futebol e foi apontada por um contador, na Itália, como um dos destinos do
dinheiro desviado pelos administradores italianos do grupo.
Ontem, o diretor-executivo da Unidade de Negócios de Leite da Parmalat no
Brasil, José Antônio do Prado Fay, explicou essa diferenciação a o
presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP), onde os
parlamentares montaram uma comissão para analisar o caso.
Entretanto, de nada adiantará a independência da empresa operacional em
relação aos demais ativos do grupo no Brasil se for decretada a falência da
holding. A falência, segundo especialistas, se sobreporia à decisão do juiz
Carlos Henrique Abrão, que bloqueou os ativos da Parmalat S.A. para evitar
que a empresa fosse dilapidada pelos controladores. Quando a falência de um
grupo é decretada, todos os ativos são lacrados e passam a fazer parte da
massa falida.
Apesar do suspense, a Parmalat S.A. teve ontem duas vitórias na Justiça,
representadas pelo desbloqueio parcial de sua conta corrente no Banco do
Brasil e pelo indeferimento de mais um pedido de arresto de bens. O
desbloqueio parcial da conta bancária foi determinado pelo juiz Vasconcelos
Boselli, do 1.º Tribunal de Alçada Civil. A Parmalat tinha, em depósito no
BB, cerca de R$ 12 milhões, e pediu a liberação do dinheiro para pagar
produtores de leite. O banco se recusou, alegando que havia descontado da
conta bancária cerca de R$ 6 milhões, por conta de uma operação de
empréstimo. Agora, Vasconcelos mandou o banco liberar o saldo e o proibiu de
fazer futuros descontos relacionados ao empréstimo.
Na 6.ª Vara Cível, o juiz Cláudio Teixeira Villar extinguiu, sem julgamento
de mérito, ação cautelar de arresto proposta contra a Parmalat pela Rana
Transportes Rodoviários, que queria o bloqueio de R$ 825 mil na conta
bancária da Parmalat na Nossa-Caixa/Nosso Banco ou no Programa Viva Leite,
da Secretaria da Agricultura. A dívida é objeto de ação de execução proposta
há anos pela Rana, quando a Parmalat era representada no País pela Yolat
Indústria e Comércio de Laticínios. (Colaborou Denise Chrispim Marin)
Oficiais de Justiça ocupam Parmalat de Jundiaí
Peritos do Banco do Brasil foram fazer levantamento dos produtos da empresa
IVAN MARCOS MACHADO
Especial para o Estado
JUNDIAÍ - Peritos do Banco do Brasil e oficiais de Justiça da Capital, com o
apoio de três viaturas da Polícia Militar, entraram na noite de ontem no
Centro de Distribuição da Parmalat, localizado no Distrito Industrial de
Jundiaí. O CD atende todo o Estado de São Paulo. A empresa deve ao banco R$
23 milhões.
Funcionários da fábrica da Parmalat nesta cidade e a assessoria de imprensa
da multinacional não tinham informações sobre o objetivo dos oficiais de
Justiça e dos peritos do banco. O vice-presidente do Sindicato dos
Trabalhadores em Indústrias Alimentícias de Jundiaí, Gerson Sartori, é
contrário à decisão do juiz Mauro Conti Machado, da 9.ª Vara Cível do Fórum
João Mendes, na Capital, de conceder o arresto dos bens da Parmalat, quando
a empresa retomou a sua produção para poder saldar as suas dívidas.
Os oficiais de Justiça não quiseram dar depoimentos. Eles mandaram consultar
o processo no cartório da 9ª. Vara, para saber o que está ocorrendo. Gerson
Sartori disse que foi impedido de ingressar no Centro de Distribuição, para
tomar ciência do que estava ocorrendo realmente.
"Eu soube que eles vieram aqui para fazer o levantamento de todos os
produtos disponíveis na empresa", afirmou.
Sartori também criticou a ausência de um representante da diretoria da
Parmalat na cidade, para pelo menos lutar pelo patrimônio da empresa.
"Amanhã (hoje), nós, da diretoria do sindicato, vamos até a matriz da
Parmalat buscar informações e vamos pedir garantias aos trabalhadores".
Em vistoria realizada no início do ano, o Banco do Brasil apurou que o
depósito da Parmalat dispunha de cerca de R$ 10 milhões em produtos, e como
eles são perecíveis, não poderiam ficar muito tempo sob a guarda da Justiça.

Alguns funcionários da fábrica, mais exaltados, ao verem a chegada da
polícia, com três viaturas e homens fortemente armados, comentaram que
dariam a vida para impedir o fechamento da unidade.
Eles estavam revoltados e disseram que o ideal seria a Justiça conceder o
direito de co-gestão aos trabalhadores, para evitar o fim de uma "marca
boa". Gerson Sartori disse que a vigilância do sindicato agora será maior na
empresa, para garantir o emprego dos funcionários e a distribuição dos
produtos.
http://www.valoronline.com.br
Valor Econômico
Quarta-feira, 28 de janeiro de 2004 - Ano 5 - Nº 937 - 1º Caderno
Pressão do BB ameaça plano de recuperação da Parmalat
Raquel Balarin e Vanessa Adachi, De São Paulo

A pressão que o Banco do Brasil tem exercido contra a Parmalat Alimentos
para reaver créditos em atraso ameaça os planos de recuperação da empresa.
Bancos credores dizem que não é viável colocar novos recursos na operação
enquanto o BB mantiver a estratégia isolada de mover ações na Justiça para
recuperar seus créditos.
"Ou o BB vem para o nosso lado ou a empresa vai ter que pedir concordata,
porque a companhia só é viável com novos aportes", diz o executivo de uma
instituição credora que acompanha as negociações. Segundo ele, o problema é
que os bancos não querem liberar novos recursos à empresa sob risco desse
dinheiro ser bloqueado pelo BB. Procurado insistentemente pelo Valor, o
banco estatal tem se negado a comentar o caso.
O comitê de credores, formado por Citibank, Bank of America e Standard
Chartered, estuda liberar entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões para a
Parmalat por meio de um novo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios
da Parmalat. Hoje o pedido de registro desse novo fundo deve ser
apresentando à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os R$ 50 milhões
deverão ser liberados à empresa em duas etapas. Da primeira, que resolverá
os problemas imediatos de caixa, participarão os bancos que já integram o
comitê e mais o Itaú BBA. Para liberar o dinheiro, porém, os bancos querem
que o BB mude de estratégia.
Ontem, até o início da noite, o oficial de Justiça encarregado de cumprir a
ordem de arresto do estoque das fábricas da Parmalat em Jundiaí (SP) não
conseguiu entrar na empresa. O BB obteve a ordem de arresto na segunda-feira
para cobrir créditos vencidos de R$ 23,6 milhões. O estoque era a garantia
do empréstimo. O advogado que defende a Parmalat, Thomas Felsberg, disse que
vai recorrer da decisão de arresto. A Parmalat já responde a cinco pedidos
de falência. O mais recente, da Tesla Tecnologia, deu entrada ontem.
Banco do Brasil e Parmalat vêm brigando na Justiça diariamente. A primeira
disputa teve início há cerca de duas semanas, quando o Banco do Brasil
bloqueou dinheiro da conta corrente da empresa como pagamento de uma dívida
vencida. A decisão mais recente da Justiça nesse processo determina que o BB
fique com os R$ 6,7 milhões retidos inicialmente, mas deixe de bloquear
novos recursos que ingressam na conta corrente.
Apesar de obter essa vitória parcial na Justiça, a empresa diz que, na
prática, não consegue movimentar suas contas no sistema eletrônico do Banco
do Brasil. Por esse sistema, a empresa movimenta R$ 80 milhões mensais em
títulos de cobrança.
A dificuldade de movimentação no BB motivou nova ação judicial da empresa
contra o banco, em que ela pede que o seu acesso às contas seja liberado.
No processo, a Parmalat argumenta que Itaú, Bradesco, Citibank e BankBoston,
outras instituições responsáveis pela sua cobrança, têm sido compreensivas.
Por decisão judicial, o comitê de fiscalização acompanhará o andamento dessa
ação.
Hoje, o diretor da Parmalat, José Antônio do Prado Fay se reunirá com
representantes do Ministério da Agricultura e do Banco do Brasil para
discutir a crise. Ontem ele se encontrou com o presidente da Câmara dos
Deputados, João Paulo Cunha (PT-SP).
A Polícia Federal abriu, ontem, o inquérito sobre o caso, que será conduzido
pelo delegado José Nogueira Eupídio, em São Paulo. Ele irá avaliar as
remessas realizadas pelo grupo Parmalat no Brasil nos últimos anos, bem como
levantar contratos suspeitos para checar se houve sonegação de impostos ou
evasão de divisas. As investigações serão concentradas nas holdings Parmalat
Empreendimentos e Parmalat Participações. As empresas deverão ser defendidas
pelo advogado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, ex-secretário
de Segurança Pública de São Paulo.
Câmara intercede em favor de produtor
Henrique Gomes Batista, De Brasília
A comissão especial criada pela Câmara dos Deputados para acompanhar a crise
da Parmalat deverá adotar medidas judiciais para que todas as unidades da
empresa tenham interventores e para que os eventuais valores bloqueados por
bancos credores sejam liberados para o pagamento dos fornecedores,
principalmente para os produtores de leite. O único banco que reteve
recursos, até agora, foi o Banco do Brasil.
"Temos que agir rapidamente, pois a situação dos produtores de leite está
crítica em alguns Estados - onde a Parmalat praticamente mantém o monopólio
na compra do produto", afirma o relator da comissão, deputado Assis Miguel
do Couto (PT-PR). A comissão também propôs a criação do comitê gestor dos
credores do setor produtivo de leite da Parmalat, para rivalizar com comitê
gestor de bancos credores da Parmalat, já existente.
A comissão terá três frentes: solução imediata da situação dos produtores,
apuração de desvios financeiros e rediscussão do modelo do setor leiteiro no
Brasil.
"Não podemos permitir que isso se repita no Brasil", afirmou o presidente da
comissão, Waldemir Moka (PMDB-MS). Serão ouvidos quatro ministros - da
Agricultura, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, do
Desenvolvimento Agrário e do Trabalho e Emprego - e diversas autoridades
sobre o assunto. A comissão vai ainda chamar representantes dos times de
futebol patrocinados pela empresa italiana. Haverá audiências em oito
Estados brasileiros e estuda-se o envio de uma missão à Itália.
http://www.aeagro.com.br
Agência Estado
27 de janeiro de 2004
20h00

Leite/Parmalat: Justiça do Rio mantém bloqueio de recursos

Rio, 27 - No Rio, o desembargador Luiz Eduardo Rabello, da 11ª Câmara Cível
do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, negou hoje pedido de uma credora e
manteve o bloqueio dos recursos financeiros de todo Grupo Parmalat,
integrado pelas empresas SPAM Representações, Parmalat do Brasil Indústria
de Alimentos e a Carital do Brasil. O recurso foi movido por causa da
suspensão judicial do pagamento de indenização no valor de R$ 14,7 milhões.
No dia 23 de dezembro a Parmalat firmou acordo com Eloar Costa, autora da
ação, para quitar a dívida em quatro parcelas mensais, sendo paga na mesma
data a primeira, no valor de R$ 326.049,66. Porém, no dia 15 de janeiro,
data de vencimento da segunda parcela, alegando dificuldades financeiras, as
empresas entraram com pedido para suspender o acordo por cinco dias, o que
foi deferido pela juíza Simone Gastesi Chevand. As empresas do grupo
afirmaram que, após celebrar o acordo, a Parmalat italiana pediu concordata,
teve a insolvência reconhecida e sofreu intervenção. Alegaram também que a
crise é notória e que no Brasil a empresa tem 6 mil funcionários e 12 mil
fornecedores de leite. Entre os credores também estão 11 cooperativas no
Estado do Rio e 3 mil produtores a quem devem R$ 6, 5 milhões. "Com o
bloqueio dos recursos das empresas Parmalat parece-me, sem dúvida,
garantidos os credores de molde a não haver risco para os mesmos, mas o
levantamento das quantias bloqueadas não me parece prudente no presente
momento", disse o desembargador Rabello. Ele afirmou também que todas as
empresas são subordinadas à matriz da Parmalat Italiana.
Mercado
Safra e Parmalat pressionam leite
Alda do Amaral Rocha, De São Paulo
O período de safra e a crise da Parmalat, que vem atrasando o pagamento a
produtores nacionais, pressionam o mercado de leite no país. Os produtores
brasileiros receberam, em média, R$ 0,4278 pelo litro de leite fornecido em
dezembro passado, 6,59% a menos que em novembro, de acordo com levantamento
da Scot Consultoria. Uma prévia dos preços do produto entregue em janeiro
indica nova queda, para R$ 0,4228 por litro.
Em Goiás, o produtor recebeu em média R$ 0,4119 pelo litro de leite
fornecido em dezembro ante R$ 0,4466 em novembro. A prévia de janeiro indica
que o produtor recebeu em média R$ 0,4069. Em São Paulo, o recuo foi mais
brusco. O produtor recebeu R$ 0,4936 em novembro pelo leite e R$ 0,4357 em
dezembro. Dados preliminares indicam R$ 0,4307 para janeiro.
Para Maurício Nogueira, da Scot, a crise da Parmalat gerou especulações e
"bagunçou" o mercado de leite. O motivo é que o atraso de pagamento da
Parmalat levou produtores a deixarem de entregar para a empresa. Outros
laticínios estão absorvendo essa produção, mas oferecem preços mais baixos,
alegando que há grande oferta de leite no mercado, observou Nogueira. Jorge
Rubez, presidente da Leite Brasil (reúne produtores), acrescentou que o
consumo fraco nas férias também pressionou as cotações.
Segundo Nogueira, a expectativa era de queda de 8% nos preços de dezembro em
relação a agosto passado. Mas o recuo chegou a quase 14%.
O mercado spot (negociações à vista) de leite também foi bastante
pressionado. Em dezembro, o produtor paulista recebeu R$ 0,36 pelo litro de
leite, R$ 0,21 a menos que em julho, pico de preços.
Para Nogueira, as cotações devem começar a se recuperar em março, com o
aumento das vendas a partir de fevereiro. Rubez disse que já há maior
procura por leite por parte de empresas que começam a ocupar o lugar da
Parmalat em algumas regiões do país.
Dificuldades para a liberação de empréstimo
Vinicius Doria, De Brasília
Enquanto o governo afirma que não há problema na liberação de EGF
(Empréstimo do Governo Federal) para financiar o estoque de leite, as
cooperativas garantem que o Banco do Brasil está impondo dificuldades
adicionais que dificultam o acesso ao crédito. Representantes de mais de
vinte cooperativas estiveram reunidos ontem em Brasília para avaliar o
problema e reclamar da burocracia e do excesso de exigências do Banco do
Brasil para liberar os recursos. Segundo a Organização das Cooperativas
Brasileiras (OCB), apenas uma cooperativa teve o crédito aprovado até agora.
Pelas regras do EGF, o próprio produto estocado pode ser apresentado como
garantia ao empréstimo. As cooperativas afirmam, em carta aberta ao ministro
da Agricultura, Roberto Rodrigues, que o Banco do Brasil está exigindo
garantias adicionais ao penhor do produto estocado e "forçando" as
cooperativas a aceitar taxas de juros "superiores às permitidas pelo crédito
rural". Até o fechamento desta edição, o Banco do Brasil não havia
respondido as reclamações das cooperativas.
Ontem de manhã, em uma reunião com representantes da OCB e da Câmara
Setorial do Leite, o ministro Roberto Rodrigues afirmou que a liberação dos
recursos do EGF começa a ser normalizada até a semana que vem. A informação
foi passada ao ministro pelo próprio presidente do Banco do Brasil, Cássio
Casseb, com quem Rodrigues se encontrou na última segunda-feira.
Segundo o presidente da Câmara Setorial do Leite, Rodrigo Alvin, o ministro
disse que o BB está analisando pedidos de EGF que somam R$ 153 milhões e que
a demanda por esta linha de crédito "está muito forte". Alvin informou que,
segundo o ministro, a direção do banco já estaria remetendo para as
superintendências estaduais os recursos necessários para atender os pedidos.
Por causa da procura pelo financiamento, o governo poderia, inclusive,
liberar mais do que os R$ 200 milhões inicialmente aprovados para o setor
leiteiro.
http://www.aeagro.com.br
Agência Estado
27 de janeiro de 2004
20h02

Leite: governo deve apoiar continuidade da produção da Parmalat:

Brasília, 27 - O governo deverá apoiar a continuidade da produção da
Parmalat no Brasil. A questão será discutida amanhã por representantes da
empresa com o Ministério da Agricultura e o Banco do Brasil, conforme
informou hoje o presidente da Câmara dos Deputados, João Paulo Cunha
(PT-SP), pouco depois de ter recebido o diretor-executivo da Unidade de
Leite da Parmalat, João Antônio do Prado Fay. Também hoje, os integrantes da
comissão especial da Câmara para investigar as causas dos problemas da
Parmalat no Brasil reuniram-se pela primeira vez para definir os
procedimentos de investigação e definir um cronograma de trabalho. "O
governo está se movimentando para auxiliar, no sentido de que pessoas que
produzem em função da Parmalat continuem trabalhando", afirmou o deputado.
Durante a audiência, de cerca de 20 minutos, Cunha informou a Fay que
acompanhará "de perto" os trabalhos da comissão especial. Mas ressaltou que
a maior preocupação do governo está no prosseguimento das operações da
Parmalat no Brasil e na preservação dos postos de trabalho da cadeia
produtiva. Conforme relatou, o executivo afirmou que há mercado e condições
de venda, o que permite a continuidade da produção. Em seguida, acrescentou
que a Parmalat também "precisa ter um certo sossego". "Eu disse a ele que
vamos apurar tudo o que estiver ao nosso alcance - as fraudes, os rombos.
Mas que, neste momento, o mais importante é garantir a operação do grupo
porque isso significa garantir os empregos", relatou Cunha. Ele ainda
lembrou que Fay havia sido "muito parcial" quando questionado sobre a
situação financeira e contábil da Parmalat do Brasil. O executivo justificou
que estava na direção da Unidade de Leite há apenas um ano e meio e que,
nesse período, observara os prejuízos. Entretanto, informou a Cunha que "não
tinha e não tem conhecimento do conjunto das operações" feitas pela empresa
e que, portanto, nada sabia sobre as fraudes. Fay deixou o gabinete do
presidente da Câmara visivelmente nervoso e preocupado em não dar
declarações aos jornalistas. "Só fiz um relato da situação da Parmalat",
limitou-se a afirmar.
Denise Chrispim Marin
http://www.uol.com.br
27/01/2004 - 19h55
Governo buscará solução para crise da Parmalat, diz João Paulo
da Folha Online

O governo federal deve buscar uma solução para a crise financeira da
Parmalat, que também atinge a empresa no Brasil. Depois de se reunir hoje em
Brasília (DF) com diretor-executivo da unidade de negócios de leite da
Parmalat, José Antônio do Prado Fay, o presidente da Câmara, João Paulo
Cunha (PT-SP), disse que o governo vai ajudar os produtores que vendem para
a Parmalat, para permitir eles mantenham a produção de leite.

Segundo João Paulo, representantes do Ministério da Agricultura e do Banco
do Brasil se reunirão com a diretoria da Parmalat no país para discutir
soluções para a crise da empresa.

Por conta da crise financeira, a unidade de Jundiaí (60 km de SP) da
Parmalat chegou a interromper a produção de chás e biscoitos.

Em Itaperuna (noroeste do Estado do Rio), as cooperativas ameaçam suspender
o fornecimento de leite para a Parmalat por conta do atraso no pagamento.

Segundo a Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da
Alimentação e Assalariados Rurais), ligada à CUT, vários fornecedores de
matéria-prima estão cortando as entregas para a Parmalat, o que coloca em
risco cerca de 6.000 empregos.

Futuro no Brasil

João Cunha disse que a empresa pretende manter as operações da Parmalat no
país.

"O mais importante neste momento é garantir a continuidade da operação do
grupo, mas a Câmara não pode deixar de apurar possíveis irregularidades
envolvendo a empresa", disse João Paulo.

Segundo ele, João Paulo, o diretor da Parmalat teria dito que a empresa tem
condições de continuar produzindo no Brasil.

Com Agência Câmara
http://www.estado.com.br
O Estado de São Paulo
Governo cogita aumentar recursos para produtores
SANDRA HAHN e NICOLA PAMPLONA
BRASÍLIA - O ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, informou ontem ao
presidente da Organização das Cooperativas do Brasil, Márcio Lopes de
Freitas, que R$ 153 milhões já estão disponíveis nas superintendências do
Banco do Brasil (BB) para contratação de Empréstimos do Governo Federal para
estocagem de leite. Os recursos fazem parte do total de R$ 200 milhões
reservado ao setor por este mecanismo. "Parece que há sinalização do BB de
ampliar para R$ 300 milhões", disse Freitas.
A fabricante de gordura hidrogenada Orlândia, no interior paulista, parou
ontem de fornecer à Parmalat. A dívida de dois meses de fornecimento soma R$
900 mil. "Todos os fornecedores estão cessando as entregas, o que indica que
a empresa pode parar até o fim de fevereiro", disse o responsável pelo
Departamento de Crédito da Orlândia, João Leite.
As cooperativas de leite do Estado do Rio decidem hoje se vão à Justiça
cobrar a dívida da Parmalat, de R$ 1,8 milhão, pelo fornecimento em
dezembro. A proposta, diz o presidente da Federação Agropecuária do Estado,
Rodolfo Tavares, é que os produtores entrem com ação para obter usufruto
judicial da fábrica de Itaperuna. Assim, as cooperativas produziriam nas
instalações da própria Parmalat e venderiam diretamente no varejo. Segundo
Tavares, só três cooperativas continuam entregando leite à Parmalat.
(Colaborou Viviane Mottin)
http://www.uol.com.br
27/01/2004 - 16h46
CUT defende intervenção federal para socorrer Parmalat
FABIANA FUTEMA
da Folha Online

A Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da
Alimentação e Assalariados Rurais), ligada à CUT, defende a intervenção do
governo federal na Parmalat Brasil. Segundo o presidente da entidade,
Siderlei Silva de Oliveira, esta seria uma solução para evitar o risco de
desativação das fábricas da Parmalat no país.

Na semana passada, a planta de Jundiaí --responsável pela fabricação de
sucos, chás e biscoitos-- chegou a ficar parada por falta de matéria-prima.
A empresa nega que a interrupção da produção tenha sido provocada por este
motivo. Mas admite a dificuldade para negociar os débitos com os
fornecedores.

"Existes vários credores entrando com pedido de falência contra a Parmalat.
Outros estão deixando de fornecer matérias-primas. Tudo isto coloca em risco
a operação do complexo industrial instalado pela Parmalat no país", disse
Silva de Oliveira.

Para o sindicalista, os pedidos de falência e o risco de interrupção das
operações da empresa ameaçam os empregos de 6.000 pessoas distribuídas nas
oito plantas industriais da Parmalat.

"A indústria de embalagem já está cortando o fornecimento para a Parmalat",
afirmou Silva de Oliveira.

Intervenção

A Contac defende a nomeação de uma equipe de trabalho --designada pelo
governo federal-- para assumir a direção da Parmalat no Brasil.

Somente sob estas condições, a Parmalat poderia receber um socorro
financeiro do governo para se manter em operação. "O dinheiro não poderia ir
parar nas mãos da mesma direção que deixou a empresa chegar onde chegou",
disse ele referindo-se à crise financeira que atinge o grupo em todo o
mundo.

Segundo Silva de Oliveira, o dinheiro do governo seria usado para a criação
de um fundo garantidor de débitos aos fornecedores da Parmalat. "Os
fornecedores não querem mais entregar matéria-prima, pois temem ficar sem
receber. Um fundo deste tipo serviria como garantia de pagamento aos
fornecedores."

Para tentar descobrir qual é a verdadeira situação contábil da Parmalat no
país, a Contac se reúne amanhã com dirigentes da empresa. "Queremos saber
quais são os planos do grupo para o Brasil e para os trabalhadores
brasileiros", disse Silva de Oliveira.

http://www.reuters.com.br
Agência Reuters
Credores da Parmalat do Brasil são contra ação isolada do BB
27 Jan 2004 22:07
Por Cesar Bianconi
SÃO PAULO, 27 de janeiro (Reuters) - A estratégia isolada do Banco do Brasil
para garantir o recebimento de empréstimos feitos à unidade brasileira da
Parmalat não está agradando aos demais credores.
"Nos parece que, em princípio, uma atitude isolada não beneficia ninguém.
Vai ficar mais difícil para a empresa tocar seu dia a dia porque precisa de
caixa para pagar seus fornecedores", disse à Reuters uma fonte próxima aos
credores nesta terça-feira. A Parmalat luta para manter suas atividades em
meio ao escândalo na matriz italiana que teve desdobramentos no Brasil.
O Banco do Brasil mantém retidos em uma conta corrente da Parmalat Brasil
S.A Indústria de Alimentos , empresa operacional do grupo no país, cerca de
13,2 milhões de reais, dinheiro que seria usado para o pagamento de
fornecedores, entre os quais produtores de leite.
Na segunda-feira, o BB obteve uma liminar na Justiça para arresto e venda de
todos os bens da fábrica da Parmalat em Jundiaí, interior de São Paulo, onde
são produzidos sucos, chás e biscoitos. A decisão --que será contestada
pelos advogados da empresa-- baseia-se no fato de a companhia não ter
mantido as garantias necessárias para um empréstimo de 23,7 milhões de reais
concedido pelo banco.
O Banco do Brasil informou, por meio da assessoria de imprensa, que não se
pronuncia sobre o caso Parmalat.
A subsidiária brasileira da companhia está em dificuldades financeiras desde
o anúncio, em dezembro, de um rombo de bilhões de euros no balanço da
controladora na Itália, e está sob investigação da Polícia Federal. A
unidade vem atrasando os pagamentos a fornecedores e chegou a interromper
parcialmente sua produção no país.
Entre os credores da Parmalat no Brasil estão Citigroup , Bank of America ,
Standard Chartered , Unibanco , ABN Amro Real e Sumitomo Mitsui, além do
Banco do Brasil.
A fonte ouvida pela Reuters esclareceu que ainda não há consenso entre os
credores sobre a união em um comitê, já que alguns querem a separação da
unidade operacional do grupo --que consideram viável economicamente-- dos
demais negócios da empresa no país.
Na segunda-feira, um dos advogados da Parmalat no Brasil disse que dentro de
10 dias alguns dos bancos do comitê --todos estrangeiros-- irão liberar
novas linhas de crédito para capital de giro da empresa.
Câmara ouvirá presidente da Parmalat do Brasil em fevereiro
27 Jan 2004 20:32
BRASÍLIA, 27 de janeiro (Reuters) - O presidente da Parmalat Brasil S.A
Indústria de Alimentos , Ricardo Gonçalves, será chamado para falar em
fevereiro diante da Comissão criada pela Câmara dos Deputados para
investigar a crise financeira na empresa.
Os deputados estão reunidos nesta terça-feira, em Brasília, para a primeira
reunião da Comissão, onde definem uma agenda de trabalho.
Na semana passada, o presidente da comissão, o deputado Waldemir Moka
(PMDB-MS), havia dito à Reuters que o presidente da Parmalat no Brasil seria
convocado. Além de executivos da companhia, devem ser ouvidos representantes
da Polícia Federal, Receita Federal, do Ministério da Fazenda, do Itamaraty
e o embaixador da Itália no Brasil, Vicenzo Petrone.
Em reunião separada, o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), teve
encontro nesta terça-feira com o diretor executivo da Parmalat Brasil, José
Antônio do Prado Fay, para falar sobre a situação da empresa.
Segundo o presidente da Câmara, o executivo da Parmalat disse a ele que há
condições de continuar a produção porque existe mercado e condições de
vender. Porém, o representante da companhia teria dito que é necessário "ter
um certo sossego", possivelmente referindo-se às negociações com credores.
Em comunicado, a Parmalat informou que durante o encontro, Prado Fay
esclareceu a diferença entre a Parmalat Brasil S.A Indústria de Alimentos, o
braço operacional da companhia no país, e as outras empresas do grupo, que
têm gestão independente e reportam-se diretamente à Itália.
A subsidiária brasileira está no meio de um escândalo multibilionário
revelado pela matriz italiana no mês passado.
http://www.camara.gov.br
Agência Câmara
Tempo Real - 27/1/2004 18h14
Parmalat quer continuar a operar no Brasil
A Parmalat pretende continuar operando no Brasil. O anúncio foi feito hoje
pelo diretor-executivo da Unidade de Negócios de Leite da empresa, José
Antônio do Prado Fay, ao presidente João Paulo Cunha, em audiência realizada
agora à tarde.
João Paulo revelou que essa é a intenção que lhe manifestou o diretor da
Parmalat. "O mais importante neste momento é garantir a continuidade da
operação do Grupo Parmalat no País, mas a Câmara não pode deixar de apurar
possíveis irregularidades envolvendo a empresa", declarou João Paulo à
imprensa.
Segundo João Paulo, o diretor da Parmalat garantiu que a empresa tem
condições de continuar produzindo no Brasil. O Governo, segundo João Paulo,
está trabalhando para auxiliar os produtores brasileiros que vendem para a
Parmalat, permitindo que eles possam continuem produzindo.
João Paulo informou ainda que representantes do Ministério da Agricultura e
do Banco do Brasil realizarão em breve uma reunião com diretores da Parmalat
para discutir soluções para a crise da empresa.

Reportagem - Poliani Castello Branco
Edição - Luiz Claudio Pinheiro

(Reprodução autorizada mediante citação da Agência)

Agência Câmara
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Fax. (61) 318.2390
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e TV Câmara.
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Agência Estado
27 de janeiro de 2004
19h01

Leite/Parmalat: Fetag decide amanhã estratégias p/enfrentar crise

Porto Alegre, 27 - A Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio
Grande do Sul (Fetag) se reúne amanhã, às 9h30, com representantes de
cooperativas e indústrias para definir estratégias diante da crise da
Parmalat. O objetivo é verificar a capacidade dos compradores para absorver
a produção que hoje é destinada à multinacional. "Queremos que eles comprem
a produção pelo preço atual. Em troca, vamos nos empenhar para pressionar o
governo federal a conceder mais recursos para a estocagem, se for
necessário", afirmou Ezídio Pinheiro, presidente da Fetag.
Maria Alice Rosa

27 de janeiro de 2004
20h04

Leite: cooperativas terão indicador setorial de preços do Cepea

Brasília, 27 - As cooperativas de leite poderão contar, a partir de abril,
com o primeiro indicador setorial de preços. Elas definiram hoje a
contratação do Centro de Estudos Avançados em Economia (Cepea) para calcular
o indicador, informou o vice-presidente da Itambé e coordenador da Câmara de
Leite da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Jacques Gontijo. O
Cepea pediu dois meses para montar o modelo de informações. A coleta de
dados será feita em fevereiro e março. As cooperativas de leite estiveram
reunidas hoje na OCB, em Brasília. Além do indicador setorial, a liberação
de recursos para estocagem de leite também foi abordada no encontro. Gontijo
disse que há algumas dificuldades para contratar os recursos disponíveis em
Empréstimos do Governo Federal (EGFs). Um dos entraves estaria no limite
aceitável para a contratação de empréstimos. O presidente da comissão de
pecuária de leite da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA),
Rodrigo Alvim, disse que poderia ser negociada uma alternativa com o Banco
do Brasil, com a eventual transferência do EGF para um agente capaz de
assumir o financiamento. Alvim informou que amanhã será realizada uma
reunião na CNA, a partir das 9h, com representantes estaduais do setor de
leite para harmonizar as informações sobre a situação da Parmalat.
Sandra Hahn

http://www.estado.com.br
O Estado de São Paulo
Presidente do BC italiano nega negligência no caso
ROMA - O presidente do Banco da Itália, Antonio Fazio, negou ontem as
acusações de que tenha desprezado sinais de problemas na Parmalat antes do
escândalo financeiro que estourou em dezembro. Fazio admitiu, entretanto,
que a comissão de valores mobiliários italiana precisa de mais poder para
fiscalizar as empresas.
O presidente do BC italiano defendeu-se perante uma comissão especial
parlamentar que examina o caso. A oitava maior empresa da Itália divulgou
informações falsas sobre suas finanças ao mercado, num golpe contábil que já
chega aos 14,3 bilhões.
Na semana passada, o ministro da Economia, Giulio Tremonti, disse à mesma
comissão que o Banco da Itália havia sido alertado pelo próprio ministério
para possíveis problemas na empresa, mas nada fez. Fazio insistiu que o
escândalo foi "o resultado de repetidos episódios criminosos na
administração" da Parmalat e lamentou a "séria falta de checagens internas e
externas" da empresa.
"Rapidamente, fizemos tudo o que tínhamos de fazer", disse Fazio.
"Precisamos fortalecer o poder da Consob (a comissão de valores mobiliários
italiana)." E pediu mais vigilância das autoridades para garantir que
auditores não sejam influenciados pelas companhias cujas contas estão
avalizando.
Tremonti disse à comissão que escreveu uma série de cartas para o banco
central manifestando preocupação com o mercado de títulos corporativos e
citando nominalmente a Parmalat. O ministro afirmou nunca ter obtido
respostas do BC. (AP)
http://www.camara.gov.br
COMISSÃO ESPECIAL DESTINADA A AVERIGUAR O PROCESSO RELACIONADO À CRISE DA
PARMALAT.
52ª Legislatura - 3ª Sessão Legislativa Extraordinária

LOCAL: Plenário 5, Anexo 2.
HORÁRIO: 16h

PAUTA DE REUNIÃO ORDINÁRIA
DIA 27/01

A) Definição do roteiro dos trabalhos;
B) Votação de requerimentos:


A - Requerimentos:

1 - REQUERIMENTO Nº 1/04 - do Sr. Ronaldo Caiado - que "solicita realização
de Audiência Pública com o Sr. JOSÉ NOGUEIRA EUPÍDIO, Delegado da Polícia
Federal."

2 - REQUERIMENTO Nº 2/04 - do Sr. Ronaldo Caiado - que "solicita realização
de Audiência Pública com o Senhor Auditor da Receita Federal responsável
pelas investigações do Caso Parmalat."

3 - REQUERIMENTO Nº 3/04 - do Sr. Ronaldo Caiado - que "solicita realização
de Audiência Pública com o Srs. Interventores nomeados pela Justiça para
co-administrar a Parmalat do Brasil."

4 - REQUERIMENTO Nº 4/04 - do Sr. Ronaldo Caiado - que "solicita realização
de Audiência Pública com os Sr. CARLOS MONTERO, ex-Diretor da Parmalat para
o Brasil."

5 - REQUERIMENTO Nº 5/04 - do Sr. Reginaldo Lopes - que "solicita que sejam
convidados o Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Queijo,
Sr. SOLON TEIXEIRA JR. para audiência pública que discutirá o Caso
Parmalat."

6 - REQUERIMENTO Nº 6/04 - do Sr. Reginaldo Lopes - que "solicita que sejam
convidado o Presidente da Associação Brasileira de Leite Longa Vida, Sr.
ALMIR JOSÉ MEIRELES para audiência pública que discutirá crise no setor
leiteiro."

7 - REQUERIMENTO Nº 7/04 - do Sr. Reginaldo Lopes - que "solicita que sejam
convidados o Presidente do Conselho Nacional das Indústrias de Lacticínios,
Sr. CARLOS HUMBERTO MENDES CARVALHO para audiência pública que discutirá o
Caso Parmalat."

8 - REQUERIMENTO Nº 8/04 - do Sr. Reginaldo Lopes - que "solicita que sejam
convidado o Presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura, Sr. MANOEL JOSÉ DOS SANTOS para audiência pública que discutirá
o Caso Parmalat."

9 - REQUERIMENTO Nº 9/04 - do Sr. Leonardo Vilela - que "solicita sejam
convidados os Senhores RICARDO GONÇALVES, Presidente da Parmalat; ROBERTO
RODRIGUES, Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - MAPA e os
Presidentes das seguintes entidades: Confederação da Agricultura e Pecuária
do Brasil - CNA; Organização das Cooperativas Brasileiras- OCB e
Confederação Brasileira de Cooperativas de Laticínios - CBCL para prestarem
esclarecimentos mediante esta Comissão Especial destinada a averiguar o
processo relacionado à crise da Parmalat."

10 - REQUERIMENTO Nº 10/04 - do Sr. Leonardo Vilela - que "solicita sejam
convidados representantes dos seguintes bancos: Banco do Brasil; Banco
Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES e um representante
legal do Comitê gestor dos Bancos credores da Parmalat para prestarem
esclarecimentos sobre os pagamentos em atraso e a liminar proibindo a
empresa de vender ativos e enviar recursos ao exterior."

11 - REQUERIMENTO Nº 11/04 - do Sr. Enio Tatico - que "requerer a
realização de Audiência Pública para serem ouvidos os Srs. RICARDO
GONÇALVES, Presidente da Parmalat no Brasil e o Sr. HELTON PEREIRA, gerente
industrial da unidade da Parmalat de Santa Helena de Goiás."

12 - REQUERIMENTO Nº 12/04 - do Sr. Enio Tatico - que "requer seja
submetida à aprovação desta Comissão a realização de diligências as unidades
da Parmalat dos seguintes Cidades Contagem / MG, Santa Helena / GO e
Carazinho / RS."

13 - REQUERIMENTO Nº 13/04 - do Sr. Leonardo Vilela - que "solicita seja
realizada audiência pública "in loco" no auditório da Federação de
Agricultura do Estado de Goiás - FAEG, convidando o Presidente da referida
Federação, os Senhores RICARDO GONÇALVES, Presidente da Parmalat; um
representante do Governo do Estado de Goiás, Centro-Leite, Sociedade Goiana
de Pecuária e Agricultura - SGPA, Organização das Cooperativas Brasileiras-
OCB/GO, e representante dos funcionários da Parmalat de Santa Helena de
Goiás, com a finalidade de coletar informações sobre a Crise da Parmalat ."

14 - REQUERIMENTO Nº 14/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "requer
Audiências Públicas e Diligências da Comissão Especial Crise da Parmalat,
nos Estados relacionados"

15 - REQUERIMENTO Nº 15/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "solicita
que seja convidado o Sr. VINCENZO PETRONE, Embaixador da Itália"

16 - REQUERIMENTO Nº 16/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "requer
criação de Sub-Comissões de membros integrantes da Comissão Especial - Crise
da Parmalat."

17 - REQUERIMENTO Nº 17/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "requer uma
reunião conjunta entre os Membros da Comissão Especial Crise da Parmalat e
os Membros da CPI do Banestado."

18 - REQUERIMENTO Nº 18/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "solicita
que seja convidada as autoridades relacionadas, para participar de audiência
pública a ser realizada por esta Comissão"

19 - REQUERIMENTO Nº 19/04 - do Sr. Almir Moura - que "solicita seja
realizada audiência em Itaperuna-RJ para apurar "in loco" os efeitos da
crise da Parmalat."

20 - REQUERIMENTO Nº 20/04 - do Sr. Paulo Rubem Santiago - que "solicita
que seja convidada as autoridades relacionadas, para participar de audiência
pública a ser realizada por esta Comissão"
21 - REQUERIMENTO Nº 21/04 - do Sr. Waldemir Moka - que "requer, nos termos
regimentais, que a Comissão Especial se digne solicitar ao Meritíssimo Juiz
CARLOS HENRIQUE ABRÃO, Titular da 42ª Vara Cível de São Paulo, por onde
tramita o processo nº 000.04.003601-4, movido pelo Banco Sumitomo Mitsui
Brasileiro S/A, a inclusão de um representante da Confederação da
Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, um da Organização das Cooperativas
Brasileiras - OCB, e outro da Confederação Nacional dos Trabalhadores na
Agricultura - CONTAG, para serem ouvidos pelo Comitê de Fiscalização da
Parmalat."

 

 
 
 
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