Reforma
Sindical: debate de temas polêmicos acontece
nesta quinta
Acontece hoje (22/01), durante todo o dia, em Brasília,
mais uma reunião do Grupo da Organização
Sindical do Fórum Nacional do Trabalho (FNT).
Hoje, representantes dos trabalhadores, empresários
e governo fazem reuniões em separado. Amanhã,
as três bancadas se juntarão e decisões
importantes devem ser tomadas quanto à forma
de financiamento do movimento sindical e organização
sindical por local de trabalho.
A
possibilidade de haver mais de um sindicato representando
uma categoria na mesma região, a representação
sindical no local de trabalho e a forma de financiamento
das entidades patronais e sindicais são os
pontos divergentes a serem solucionados na última
reunião do Grupo da Organização
Sindical do Fórum Nacional do Trabalho (FNT).
O Secretário Nacional de Organização
da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Arthur
Henrique da Silva Santos, participa da reunião
e disse que hoje o grupo dos trabalhadores está
tentando fechar consensos quanto às questões
principais. "Na verdade, estamos nos organizando
para o embate de amanhã", frisou.
Na
próxima semana, as propostas ainda serão
apreciadas pela Comissão de Sistematização
do FNT e posteriormente encaminhadas à Plenária
do Fórum, para que o texto final seja redigido.
A perspectiva é a de que em fevereiro este
texto seja enviado ao Congresso Nacional para ser
votado até julho. Com os sindicatos fortalecidos,
os integrantes do Fórum acreditam que eles
poderão representar melhor os trabalhadores
na reforma que deverá ficar para o ano que
vem.
No
local de trabalho
A
representação sindical no local de trabalho
é tema que deverá gerar muita polêmica
durante o encontro. Alguns empresários não
aceitam que o sindicato entre na empresa e "a
resistência está entre as micro e pequenas
empresas", afirma Arthur.
As
grandes empresas, continua o secretário, já
possuem esses representantes que agem para resolver
pequenos conflitos, como assuntos ligados a horas
extra e transferências. "Muitas vezes,
as partes chegam a um acordo e evitam que o problema
gere uma ação judicial, que muitas vezes
demora para ser solucionada", disse. O sindicalista
lembra que no Brasil ainda há a necessidade
de mudar a cultura de algumas empresas de que a entidade
representativa dos trabalhadores só pode chegar
até a porta da fábrica. E pondera que
a representação sindical no local de
trabalho se justifica para a solução
de conflitos e não para a realização
piquetes.
Financiamento
Atualmente
são cobrados do trabalhador três impostos
sindicais: uma contribuição mensal para
trabalhadores sindicalizados; o imposto sindical,
que prevê repasse do valor equivalente a um
dia de salário de todos os trabalhadores brasileiros
aos sindicatos; além da taxa Confederativa
Assistencial.
As
centrais sindicais defendem o fim da cobrança
do imposto. De acordo com Arthur Henrique da Silva
Santos, além de ser abusiva a cobrança
serve para a manutenção de sindicatos
que vivem só para receber esse tipo de imposto.
Ele afirma que os trabalhadores muitas vezes nem conhecem
esses representantes e não têm o direito
de decidir se concordam com a contribuição.
Para a CUT, o Imposto Sindical deveria ser extinto
num prazo até três anos; já a
Força Sindical quer o fim da cobrança
no prazo de até cinco anos.
CUT
e Força defendem o financiamento das entidades
sindicais por meio de uma mensalidade associativa,
cujo valor seja estipulado por assembléia.
As Centrais querem que um imposto seja cobrado de
todos os trabalhadores beneficiados pelos contratos
coletivos firmados, após o término das
negociações salariais. Este imposto
serviria para cobrir despesas das negociações
nos períodos de dissídio, como os gastos
com carro de som, contratação de pesquisas
para apurar índices de aumento salarial, gastos
em comunicação, entre outros. O governo
por sua vez, quer que esta contribuição
respeite um percentual limite, sob a alegação
de que há categorias formadas por grande número
de trabalhadores e que podem gerar recursos excessivos.
Representação
única
CUT
e Força Sindical têm posições
diferentes no que se refere ao fim da unicidade sindical.
Para a CUT, a possibilidade de haver mais de um sindicato
de determinada categoria por região (no mínimo
um por município) permitirá aos trabalhadores
escolher qual sindicato os representaria. Atualmente
pode existir apenas um sindicato por região
e ele só pode ser substituído por meio
de eleição. A CUT alega que o sindicato
escolhido é que define as regras da eleição
e o tempo de mandato - e por causa disso muitas vezes
o representante fica "eternamente" no poder.
"Se o sindicato eleito decidir que o mandato
é de oito anos, ele fica representando a categoria
durante todo o período", completou o dirigente.
A Força Sindical defende a manutenção
da unicidade, mas a pluralidade nos âmbitos
das federações, confederações
e centrais é consenso entre as entidades.
O
Fórum Nacional do Trabalho é um organismo
tripartite, integrado pelo governo, por intermédio
dos ministérios do Trabalho e do Planejamento
e da Casa Civil; pelos trabalhadores, representados
por seis centrais sindicais - CUT, CGT, CGTB, Força
Sindical, CAT (Autônomos) e SDS (Social Democracia
Sindical) -; e pelos empregadores, por meio de suas
Confederações (CNI/Indústria,
CNA/Agricultura, CNT/Transportes, CNF/Financeiras
e CNC/Comércio).
Rita
de Biagio, com informações da Agência
Brasil