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Opiniões publicadas
Previdência Oficial:
Financiamento ou Investimento?
Gil Carlos R. Medeiros (*)
A argumentação do Governo
para justificar a PEC-40 - esta maquiavélica reforma
da previdência - nos leva a refletir profundamente sobre
os princípios utilizados para definir o sistema oficial
de previdência.
Para criar na opinião pública
a visão de que o sistema não pode continuar como está
e conquistar a aprovação para a sua versão de reformas,
o Governo esmerou-se no uso da "criatividade", demonstrando
que arrecada menos em contribuições do que gasta com
o pagamento de aposentadorias e pensões. Tentando "provar"
que é impossível manter o sistema atual, baseia-se,
escandalosa e abusivamente, no fato de que a quase totalidade
da população não tem a mínima idéia do que significam
os números apresentados, nem do que representa o que
os segurados (do serviço público ou da iniciativa privada)
contribuem para ter direito à aposentadoria (integral
ou não). Há que se encontrar um "culpado"... E o escolhido
para o momento é, mais uma vez, o funcionário público.
A criatividade e o esforço
usados para angariar apoio à sua reforma-castigo poderiam
ser melhor aproveitados na construção de uma proposta
mais equilibrada e efetivamente justa, que eliminasse
as verdadeiras causas de déficit, garantisse uma administração
adequada e eficiente dos recursos da previdência (dos
trabalhadores) e não impusesse a uma boa parte da população
a sensação (bastante real) de estar sendo literalmente
enganada e "roubada".
Parece que a única solução
encontrada, para diminuir as diferenças sociais, é o
"empobrecimento" da classe média, hoje representada
pelos funcionários públicos. Aliás, nos últimos discursos
de nosso presidente, o Brasil é lembrado como um país
pobre, ao contrário do que antes era dito, quando salientava-se
a divergência entre a riqueza do país e a pobreza de
grande parte de sua população.
Ora, a impossibilidade
de pagar os aposentados apenas com as contribuições
momentâneas arrecadadas em função dos trabalhadores
da ativa é óbvia. Para funcionar desta forma, depois
de algum tempo de implantação do sistema, seria necessária
uma contribuição muito mais alta e impraticável, a menos
que se garanta a morte de boa parte dos segurados antes
do efetivo gozo dos benefícios "contratados", estabelecendo,
por exemplo, o retardamento de suas aposentadorias.
Na verdade, o grande equívoco
está no uso das contribuições meramente como recursos
para "financiamento" imediato da previdência. Entretanto,
como "financiamento" deve ser tratada apenas a contribuição
patronal (das empresas), incluindo o próprio Governo,
na qualidade de empregador. A contribuição paga (descontada
no salário) pelo empregado deve ser vista como "investimento"
para garantir, prioritariamente, sua manutenção na velhice.
Ah! Com certeza vamos ouvir
que esta afirmação é insustentável, visto que o sistema
de previdência não trata apenas de aposentadorias. É
verdade! Entretanto, é fácil perceber, pela preocupação
do Governo, que a despesa maior é com as aposentadorias.
E aí é que está a contradição, pois somente a parte
de "investimento" do empregado que contribui por 35
anos é mais que suficiente para pagar a sua aposentadoria,
como demonstraremos adiante. E vejam que esta é apenas
uma "terça parte" das contribuições pagas à previdência
oficial, associadas ao seu salário, pois todo o empregador
paga o dobro do que é descontado do empregado, cujo
montante poderia ser destinado para o atendimento de
todas as demais despesas do sistema.
Observemos que a contribuição
paga pelo segurado, se realmente tratada como investimento,
deveria ser administrada para gerar dividendos, visando
seu benefício futuro, como o fazem os fundos privados
de previdência. Daí, é fácil concluir que não poderia
gerar rendimentos menores do que o juro da caderneta
de poupança (0,5%), pois esta representa o investimento
de mais baixa rentabilidade e este é um índice muito
baixo, diante do que o governo paga para tomar dinheiro
emprestado dos bancos. Os recursos financeiros oriundos
das contribuições dos trabalhadores poderiam continuar
sendo utilizados para projetos e outras demandas do
Governo, porém NUNCA "a fundo perdido".
Apenas para exemplificar
o que foi afirmado, consideremos que, a partir de hoje:
- não exista mais inflação e, portanto, não exista correção
monetária, nem correção de salários; - que toda a contribuição
descontada do salário do trabalhador (11%) seja corrigida,
mensalmente, em 0,5%, formando um fundo para a sua aposentadoria;
- que a contribuição do segurado durante 35 anos lhe
garanta o direito a aposentadoria integral.
Mostraremos três exemplos
de como isto é perfeitamente viável, sem gerar déficit.
Exemplo 1 - Um professor com título de Doutor e idade
de 25 anos, recém contratado por uma Universidade Federal,
ao se aposentar (60 anos) teria acumulado, em contribuições
corrigidas, um saldo de R$ 794.326,00, que garantiria
sua remuneração integral durante 33 anos.
Exemplo 2 - Um professor com título de Mestre e idade
de 25 anos, recém contratado por uma Universidade Federal,
que conclua o seu Doutorado aos 33 anos, ao se aposentar
(60 anos) teria acumulado, em contribuições corrigidas,
um saldo de R$ 672.095,00, que permitiria manter sua
remuneração integral durante 22 anos.
Exemplo 3 - Um trabalhador de empresas da iniciativa
privada, que inicie a trabalhar aos 20 anos de idade
e receba uma remuneração igual a 4 salários mínimos,
durante todos os 35 anos, ao se aposentar (55 anos)
teria acumulado, em contribuições corrigidas, um saldo
de R$ 166.670,00, o que garantiria sua remuneração integral
(os mesmos 4 salários mínimos) durante 34 anos.
O último exemplo é realmente
de deixar o leitor indignado, pois mostra que, mesmo
para os segurados menos privilegiados, a aposentadoria
integral por tempo de serviço é perfeitamente viável,
sendo indecente a aplicação de qualquer fator previdenciário
para redução do benefício. Lembre-se que a expectativa
média de vida dos brasileiros não ultrapassa os 70 anos.
Quantos sobreviveriam até os 90 anos? É claro que os
casos em que há uma diferença muito grande de idade
entre o segurado e seu cônjuge (pensionista) devem ser
tratados de forma diferenciada.
Ainda, se o valores das
contribuições dos segurados fossem melhor administrados,
um rendimento anual (juros) de 7% seria perfeitamente
viável (ao invés dos 6% da poupança). Com este rendimento,
para qualquer dos exemplos acima, o saldo acumulado
no fundo de previdência (durante os 35 anos) seria maior
do que 175 vezes o salário integral no ato da aposentadoria,
ou seja, o benefício do aposentado seria pago apenas
com o juro mensal deste fundo (pelo tempo que fosse
necessário) e, ao final, o fundo ainda estaria tão ou
mais "gordo" que no momento da aposentadoria do segurado.
Agora, podemos perceber
rapidamente o porquê de tanto interesse na privatização
da previdência. O que não dá prá entender é qual a razão
para deixar o lucro do uso destes recursos para os banqueiros.
Por que o próprio governo não quer usufruí-lo, em benefício
do país?
Não dá para entender a
pressa em aprovar esta reforma, a qual, de curto a médio
prazo, proporcionará um maior desequilíbrio nas contas
da previdência, pois aumentará bastante o número de
aposentadorias prematuras.
Também não dá para entender
o porquê de forçar a manutenção do trabalhador por mais
tempo na ativa, o que retarda a renovação de quadros
e conduz a elevação dos índices de desemprego.
(*) Professor do Instituto
de Física e Matemática da Universidade Federal de Pelotas
Uma Análise sobre
a Reforma da Previdência
Gil Carlos R. Medeiros (*)
O Governo pretende, através
da famigerada PEC-40, reformar os dispositivos constitucionais
que regem o sistema de previdência oficial do Brasil.
Seu principal argumento, além de rotular como injusto
o sistema atual, é reduzir o alardeado déficit bilionário
da previdência.
Para corrigir as "injustiças",
a proposta meramente apresenta uma correção geral do
teto de aposentadorias para R$ 2.400,00, recompondo,
momentaneamente, a fórmula original de sua definição,
que o estabelecia como equivalente a 10 salários mínimos.
Isto parece uma propaganda enganosa sobre correção de
injustiças, pois só atingiria os trabalhadores que,
no futuro, se aposentassem após ter contribuído sobre
este novo teto. Não há qualquer referência a correções
das distorções do sistema de pagamento de benefícios,
as quais têm caracterizado o sistema previdenciário
oficial nos últimos tempos, juntamente com as propagandas
mal-intencionadas veiculadas pelo Governo.
Na linha mestra de seus
objetivos (a redução do déficit da previdência), também
não se observa a intenção clara de retificar estas distorções.
Novamente, a propaganda enganosa, construída através
de números globais, cuja obtenção não é transparente
(não são publicadas as origens destes números), conduz
a um raciocínio de que a previdência dos servidores
públicos civis é a grande vilã na geração deste déficit.
É fácil perceber a que interesses serviria a desmoralização
e a desestabilização do sistema público de previdência.
Aos mesmos que sistematicamente têm concentrado fatia
cada vez maior da renda nacional.
A proposta de reforma pretende
nivelar por baixo a aposentadoria dos funcionários públicos
que tenham remunerações superiores a dez salários mínimos,
considerando, nas entrelinhas, que não tenha havido
a devida (suficiente) contribuição para a manutenção
do direito à aposentadoria integral. Isto é uma inverdade,
principalmente quando considerarmos que os novos ingressantes
no serviço público seriam os mais atingidos por esta
limitação.
As carreiras públicas que
detêm as remunerações mais altas (acima de R$ 2.400,00)
são exatamente aquelas que exigem maior qualificação,
para as quais os órgãos públicos já têm experimentado
sérias dificuldades nas tentativas de atrair profissionais
competentes. A implantação desta reforma vai tornar
ainda mais difícil a manutenção destes quadros especializados
de servidores, o que conduzirá, indiscutivelmente, a
uma desqualificação dos serviços públicos que, paradoxalmente,
deveriam ser os mais qualificados.
Uma destas carreiras é
a dos professores universitários, aos quais, para ingresso
hoje, é exigido, no mínimo, o título de Mestre, sendo
o doutorado prévio uma meta altamente recomendada, principalmente
na esfera federal. Com esta titulação, nenhum professor
iniciaria a carreira com menos de 25 a 27 anos. Sendo
exigido o tempo mínimo de 35 anos de contribuição, estes
futuros servidores não poderiam aposentar-se antes de
60 anos, sem que esta restrição precisasse constar na
Constituição do país.
Por outro lado, façamos
uma análise da situação dos servidores civis da União,
no que diz respeito à previdência. Com esta reforma,
o governo pretende remeter todos os trabalhadores para
o mesmo sistema. Então, consideremos que todos os servidores
públicos federais contribuem para a previdência (descontado
na fonte) com 11% de sua remuneração bruta, que o empregador
contribui com outros 22%, como todo empregador da iniciativa
privada (conforme declarado pelo próprio Governo em
cartilha distribuída para "encantamento" dos servidores),
que o empregador deveria depositar 8% da remuneração
bruta no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)
de todos os empregados, como todo o empregador da iniciativa
privada o faz (ou deveria!). O FGTS não é mais depositado
para os funcionários públicos desde 1990, com a implantação
do Regime Jurídico Único (RJU), exatamente como forma
de compensação pelas vantagens que o servidor público
teria (e que agora querem unilateralmente retirar).
Pode-se considerar que a aposentadoria integral corresponde
à aposentadoria básica limitada, que o governo quer
generalizar, somada a uma aposentadoria complementar
implícita, para a qual o servidor já contribui compulsoriamente
e que, após a implantação desta reforma, não se sabe
como será.
Assim, os novos funcionários
públicos com remunerações mais altas - e também os de
mais baixa renda - teriam depositado nos fundos oficiais
de previdência, ao final de 35 anos de contribuição,
41% (11 + 22 + 8) de suas remunerações. É óbvio que
estes fundos devem aplicar estes recursos para proporcionar
rendimentos aos seus beneficiários (como o fazem os
fundos de previdência privada).
Aliás, abrindo aqui um
parênteses, sem considerar a hipótese de "sumirem" na
hora de pagar os benefícios, os fundos de previdência
privada fazem as mesmas contas que o fundos oficiais
podem fazer, porém limitando suas despesas ao pagamento
de benefícios e aos custos de administração, sem qualquer
previsão de desvios de recursos dos fundos para outras
finalidades, sejam elas políticas ou sociais. Faça-se,
para efeitos comparativos, uma simulação de adesão a
um destes fundos (Banco do Brasil, por exemplo), considerando
uma rentabilidade apenas regular, início de contribuição
aos 25 anos, com previsão de pensão para o cônjuge calculada
em 70% da remuneração em atividade, e será observado
que aos 60 anos, após 35 anos de contribuição igual
apenas ao que é descontado da remuneração integral do
servidor (11%), o valor da aposentadoria seria de 135%
de sua remuneração integral na atividade (35 % a mais!)
... e sem considerar a parte paga pelo empregador para
a previdência. Por que esta diferença? Por que um fundo
privado, que visa lucro de seus administradores, pode
garantir isto, e o fundo público, que não visa lucro,
seria deficitário, mesmo com contribuições que equivalem
ao triplo das pagas aos primeiros?
Entretanto, mesmo desconsiderando
os rendimentos deste "investimento", que o trabalhador
faz para seu futuro, e considerando que o servidor público
contribuirá por 35 anos, isto equivale a 14,35 anos
de salários integrais (41% de 35 anos), o que significa
dizer que o servidor já teria depositado em seu fundo
de previdência, pelo menos, a quantia necessária para
manter sua aposentadoria integral por mais de 14 anos.
Também, é sabido que a expectativa média de vida do
brasileiro não alcança os 70 anos. Estes dados mostram
de maneira imediata que, na verdade, os fundos mantidos
para pagamento das aposentadorias daqueles que contribuíram/contribuírem
durante 35 anos de atividade são/serão superiores ao
exigível, sem qualquer necessidade de complementação
com recursos do Tesouro Nacional. Para todos os argumentos
apresentados pelo Governo, contrários a esta afirmação
simplista, existe uma contra-argumentação coerente,
inclusive com dados do próprio Governo e, em alguns
casos, baseando-se até mesmo em pontos da reforma que
são efetivamente necessários.
Então, de onde vem o déficit
da previdência do servidor público? Da falta de recursos
de contribuições? Parece que não. Ou seria de uma má
(ou péssima) administração destes fundos? Falando nisto,
existe na reforma alguma previsão de correção das falhas
de administração dos recursos dos contribuintes investidos
na previdência? Parece que não. Existe na reforma alguma
garantia de que os recursos da previdência não serão
desviados para outras finalidades políticas dentro do
próprio governo? Também não.
Considerando que a contribuição
ao sistema de previdência oficial é compulsória, conclui-se
que os servidores públicos, presentes e futuros (haverão?),
passaram a ser compulsoriamente os culpados, sem ter
a mínima chance de evitar esta indesejada culpa.
(*) Professor do Instituto
de Física e Matemática da Universidade Federal de Pelotas
O PERIGO DOS PRODUTOS
GENETICAMENTE MODIFICADOS
É lamentável a maneira
irresponsável como vem sendo tratado pela imprensa o
problema dos alimentos transgênicos ou geneticamente
modificados, uma vez que vários e importantes aspectos
nessa discussão estão sendo desconsiderados, e o assunto
é passado a população como se o problema fosse meramente
uma questão comercial.
Não é por acaso que na
natureza a evolução das espécies, seja no reino animal
ou vegetal, é um processo lento e gradual, uma vez que
a mudança de um único elo da cadeia, implica na alteração,
ainda que sutil de todo um sistema. O próprio homem,
na forma física e mental como o conhecemos, é fruto
dessa delicada relação, pois dependendo da região em
que viva, das condições climáticas a que está exposto
e do que se alimenta, os seres humanos ganham características
diferenciadas.
A introdução de um espécime
geneticamente modificado, por tanto, um organismo estranho
ao meio ambiente terá, necessariamente, as seguintes
conseqüências: 1ª - O eco sistema reage e destrói o
espécime estranho; 2ª - O espécime estranho destrói
o eco sistema; 3ª Tanto o espécime estranho quanto o
eco sistema modificam-se e encontram uma maneira de
co-existirem.
Ao analisarmos essas três
alternativas veremos que a primeira não acontecerá por
hora, uma vez que poderosos herbicidas ou outros produtos
químicos se encarregarão de eliminar aquilo que os agricultores
costumam chamar de pragas, que nada mais é do que o
processo seletivo natural do eco sistema local, mesmo
assim, em longo prazo, é impossível prever se as chamadas
pragas não passarão por mutações tornando-se ainda mais
fortes e agressivas, nesse caso, a segunda hipótese
prevaleceria, uma vez que certamente outros espécimes
locais seriam atingidos.
Mas aceitemos a terceira
hipótese, a de que tanto o eco sistema quanto o espécime
transgênico encontrem uma maneira de co-existirem, com
isso, as alterações que serão produzidas, por mais que
os cientistas afirmem ao contrário, serão imprevisíveis,
e não estarão restritas apenas a plantas e animais,
mas aos seres humanos também.
Diz o bom senso que: "Caminhar
sem enxergar o que vem pela frente, é a certeza de tropeços",
certamente atirar o ser humano nesta aventura da qual
não se pode prever o desfecho, em nome da ganância,
será o maior erro, de tantos que o homem vem cometendo
contra sua própria espécie.
Luiz Araújo - Diretor FTIARS
Formação Sindical:
mais do que uma demanda uma necessidade
Objetivos A Formação Sindical
tem como objetivo principal contribuir com as instâncias
da CUT no debate sobre a atualização e a consolidação
do seu projeto sindical e de sua proposta organizativa,
considerando a globalização e os processos de integração
regional, a relação com o Sindicalismo internacional,
as transformações no mundo do trabalho e as alternativas
de desenvolvimento.
Também é objetivo qualificar
a ação e organização dos trabalhadores nos locais de
trabalho, a partir da abordagem crítica do processo
de reestruturação produtiva, das novas formas de gestão
do trabalho implementado pelas empresas e dos novos
espaços e processos de contratação coletiva. A intenção
final é elaborar uma estratégia de ação que contribua
para o fortalecimento do papel da CUT e seja capaz de
enfrentar as novas exigências da formação sindical.
Princípios da Formação
Sindical da Central Única dos Trabalhadores
Classista e de massas
É a Formação que busca alertar os trabalhadores para
a importância da organização sindical, despertando a
consciência de classe e a percepção da importância da
unidade para a luta, procurando articular as dimensões
do cotidiano do local de trabalho com as demandas da
classe.
Indelegável
A formação deve estar ligada ao projeto político-sindical
da CUT e ter como referência as resoluções de suas instâncias.
Sua formulação, execução e sustentação financeira são
de responsabilidades das entidades, fóruns e instâncias
da Central.
Democrática, Plural
e Unitária
A Formação deve estimular o debate dentro do movimento
cutista, e simpatizantes da central criando condições
para que distintas concepções aflorem, se conheçam,
se confrontem e busquem na diversidade os elementos
da unidade para uma ação unificada e fortalecedora da
indenidade cutista.
Unificada e descentralizada
A Formação deve ser unificada em seus objetivos, concepção,
prioridades e estratégias de implantação, mas deve se
descentralizada quanto à sua elaboração e implementação,
levando em conta as especificidades de cada região.
Integralidade do ser
humano
As atividades da Formação devem considerar as múltiplas
dimensões do trabalhador, suas moções e sensações estabelecidas
nas relações sociais, e assim incorporar as diversas
formas de manifestação e percepção da realidade do aluno.
Instrumento de reflexão
crítica e de libertação
Proporcionar ao aluno uma visão crítica do mundo e as
relações sociais, fazendo-se perceber-se na história
como ser capaz de analisar a realidade, encontrar formas
de transformá-la e agir coletiva e com convicção para
isso.
Contra as discriminações
Deve incentivar e valorizar a integração, a solidariedade
e a luta pela igualdade de direitos e pelo respeito
a todos sem distinção.
Dimensões ideológicas,
política e técnica
Para qualificar trabalhadores é preciso levar em conta
estes três aspectos do conhecimento. Além de compreender
e refletir sobre sua a realidade, elaborando propostas
de ação para modificá-la, é preciso que os trabalhadores
adquiram os conhecimentos técnicos necessários a essa
transformação, levando em conta seu projeto político
e ideológico.
Processual, Permanente,
Planejada e Sistematizada
A Formação deve ser permanente, integrada nos diversos
momentos a vida cotidiana, mas deve ser planejada e
modo a garantir o aprendizado. Da mesma forma, é preciso
que esteja sistematizada, propiciando a reflexão sobre
a organização e a luta sindical, o que potencializa
a capacidade educativa das ações.
Luis Carlos Machado Mosquer
- Presidente do Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias
da Alimentação de Santo Ângelo e Região e secretário
de Formação da Cut-Missões.
VÍTIMAS E ALGOZES
(15/04/2003)
A guerra dos EUA contra
o regime de Saddam é apenas uma pequena batalha da verdadeira
guerra, que já está sendo travada em todas as partes
do mundo. Verdadeiramente, é impossível não se revoltar
contra as atrocidades cometidas contra o povo iraquiano
pelo ditador Saddam Hussein, assim como é igualmente
impossível ficar insensível a maneira covarde como as
forças da coalizão(EUA-Inglaterra) massacraram milhares
de pessoas inocentes para atingirem seus objetivos,
ainda mais que, claramente, estes objetivos nada tem
de altruístas, muito pelo contrário, mais uma vez a
vida humana é relegada a um segundo plano em nome do
dinheiro e do poder.
Poderíamos citar outros
tantos aspectos igualmente revoltantes, como a maneira
imoral com que os meios de comunicação transformaram
uma tragédia num grande show "Hollywoodiano" , a barbárie
apresentada como um inocente filme, cheio de pirotecnia
e efeitos especiais, desses que se convida a família
e os amigos para assistir, com direito a pipoca e tudo
o mais, anestesiando a população que não consegue perceber
não estar diante de uma ficção, mas sim da dura realidade
de mais um crime contra vida sendo cometido diante de
seus olhos. Mas por mais estranho que possa parecer,
mesmo que a monstruosa sede de pode de Bush e seu fiel
escudeiro Tony Blair façam de outros países alvos de
suas fúrias homicidas, os números destas atrocidades
não serão nada, comparados ao genocídio da guerra que
o capitalismo impõe ao mundo todos os dias, e o que
é pior, sem que as pessoas se dêem conta do que estão
enfrentando.
Parece lógico, por exemplo,
que uma cidade se horrorize ao assistir um criminoso
matar uma, duas ou três pessoas, como acontece todos
os dias no mundo inteiro, mas que não tenha esse mesmo
sentimento quando descobre que uma quantia exorbitante
foi desviada de cofres públicos por uma pessoa. No entanto,
o desvio desse dinheiro que deveria chegar nos hospitais,
na segurança pública ou na restauração de uma estrada
é responsável por matar não uma, duas ou três pessoas,
mas milhares. Muitas porque a falta de recursos não
disponibilizou leitos e medicamentos, outras porque
a falta de equipamentos e até mesmo de combustível não
permitiu que os órgãos de segurança dessem um pronto
atendimento, outras porque a falta de sinalização e
os buracos provocaram acidentes e por aí vai.
Assim, o capitalismo com
sua pilhagem desumana nas nações de todo o mundo é responsável
pela morte de milhares de pessoas todos os dias, pois
o dinheiro que deveria ser usado para salvar vidas e
prover as necessidades básicas das pessoas, é usado
para sustentar uma agiotagem criminosa, responsável
direta por uma guerra na qual, queiramos ou não, todos
nós lutamos sem nos darmos conta, cujas vítimas são
em números muito superiores ao episódio do Iraque e
do Afeganistão. O mais triste é que nesta guerra somos
todos vítimas e algozes.
Luiz Araújo - Diretor FTIARS
Coca - Cola quer faturar
em PAZ (15/04/2003)
A Guerra promovida pelo
Xerife Americano J W Bush contra o Iraque de Sadam Hussein
vem chocando o mundo e provocando reações globais. Uma
delas voltadas ao cotidiano dos povos diz respeito ao
boicote a produtos americanos, afinal se Bush não respeita
a ONU, talvez pense suas próximas ações se o efeito
da guerra fizer-se sentir no faturamento das multinacionais
americanas.
Assim, uma lista pedindo
o boicote a Coca-Cola, Esso, Texaco e outras multinacionais,
corre o mundo. Ao que tudo indica a ação começa a surtir
efeito no que diz respeito a Coca-Cola. Neste Domingo,
06/04, a Capital Gaúcha foi invadida por uma maré de
bandeiras brancas com a inscrição PAZ, assinada por
uma tal Corrente Vonpar pela paz, corrente essa sobre
a qual nunca se teve notícias em momentos que os trabalhadores
e movimentos sociais lutavam para que não houvesse a
guerra.
Oportunamente, no momento
em que o boicote ganha força nas ruas e promove a mudança
de hábito da população, vem eles pedindo paz. Mas de
que paz estão falando? A paz para poderem faturar? Outro
aspecto interessante é que não usaram o vermelho, cor
tradicional da Coca-Cola. Seria um intencional disfarce
ou teriam preferido o laranja Fanta? De todo o modo,
brasileiros uni-vos e continuem a consumir suco de laranja,
abacaxi, açaí e outros tantos que fomentam nossa economia,
preservam nossa saúde, impedindo que os dólares das
multinacionais contribuam para a manutenção do genocídio
no Oriente Médio.
Doris Couto - Monitora
de Gênero Acadêmica de Ciências Sociais UNISINOS
QUEM ESTA FALANDO
A VERDADE?
Todas as pessoas que acompanham
os noticiários com atenção, certamente viram durante
os últimos quatro anos o grupo RBS por trás de repórteres
como Lazier Martins, Rogério Mendelski e outros, afirmarem
que o Rio Grande do Sul era um Estado que implantou
um sistema muito ruim em matéria de segurança pública.
Tal assunto foi considerado
tão grave que mereceu longos períodos de debate durante
a campanha eleitoral e, de certa forma, acabou tornando-se
decisivo para muitos eleitores na escolha do novo governo
gaúcho, uma vez que segurança foi apontada com prioridade
para o novo governo. Estranhamente, passados 100 dias
do Governo Rigotto, um encontro que esta acontecendo
em Porto Alegre, reúne secretários de segurança de todo
o Brasil para um debate, onde o modelo gaúcho tão defendido
pelo ex-secretário Bisol e tão criticado pela empresa
jornalística citada, vai virar referência para todo
o país.
O que será que houve? Será
que durante quatro anos a RBS foi tão incompetente ao
criticar um modelo de segurança que estava correto e
que hoje será copiado por todos os Estados da Federação?
Ou será que eles estavam certos e o resto do Brasil
vai "Embarcar em canoa furada"? Mas nesse caso, por
que o Sr. Lazier Martins não estaria criticando duramente
como o fez na época do governo Olívio Dutra, e alertando
que o Brasil estará adotando o pior modelo de segurança,
que será tão caótico como ele sempre alegou que o do
Rio Grande do Sul era?
Das duas uma: ou esse grupo
jornalístico está se omitindo ao não denunciar para
o resto do Brasil a "Besteira" que irá fazer, ou devem
desculpas públicas ao ex-secretário Bisol e principalmente
aos eleitores gaúchos, pois o equívoco cometido ao criticar
duramente a segurança pública durante o governo Olívio,
prejudicou uma pessoa pública que talvez não fosse tão
incompetente afinal! Com a palavra, o Grupo RBS!
Luiz Araújo Diretor FTIA/RS
Ser
Homem ou Macho? Eis a questão*
Passaram-se séculos, virou o milênio
e apesar da evolução cultural do homem (ser humano),
das inovações tecnológicas, dos novos padrões morais,
o papel masculino na sociedade ainda não é bem compreendido
pelos próprios homens, pois, o "homem biológico" tem
um papel de "macho social" a cumprir. Há um código social
que se renova e que muda padrões, mas reforça o comportamento
inerente ao "macho de verdade".
Qualquer atitude fora dos padrões estabelecidos
rotula e exclui. Por muito pouco o homem deixa de ser
macho se não corresponder ao estereótipo socialmente
construído.
Se o machismo impõe às mulheres um papel
que as coloca em condição de inferioridade e subjugação,
impõe ao homem a negação de sentimentos e reações humanas.
Ternura, sensibilidade, emotividade
são "direitos femininos" negados aos machos que se pautam
pelo código social do "ser homem". Chorar, mostrar-se
apaixonado, emocionar-se, entre muitas outras coisas,
não fica bem para o macho, que muitas vezes exterioriza
de forma violenta (socialmente consentida e adequada)
seus sentimentos. Em vez de lágrimas, murros na mesa,
socos na parede ou no primeiro (homem é claro!) que
se atravessar no caminho.
As mulheres têm lutado pela equidade
de gênero, ao passo que os homens jamais manifestam-se
contra o peso que a cultura do "ser macho" lhes coloca
sobre os ombros; afinal, homens são "fortes" e podem
carregar peso. Graças à luta feminista que reivindica
a responsabilidade paterna na educação e cuidado com
os filhos, hoje vêem-se machos orgulhosos com as crias
no colo, bolsa de fraldas no ombro andando rua à fora
e fazendo bilu-bilu.
Trocar fraldas deixou de ser obrigação
da mãe para ser momento privilegiado onde o pai passa
a estabelecer uma relação de cumplicidade com o bebê,
sem com isso efeminar-se.
Compreender que o masculino (ser macho)
e o feminino (ser frágil, jamais fêmea) é uma construção
social cotidiana que traz consigo implicações é fundamental
para que tenhamos homens e mulheres mais felizes, já
que somos aquilo que nos dispusemos a ser, dentro de
limites que precisamos respeitar e a partir de conceitos
que devem ser nossos e não da mídia, da bíblia ou do
vizinho( cara macho pra caramba e marido de uma dona
de casa exemplar).
Construir um mundo com dignidade humana,
justiça social, igualdade de oportunidades passa inexoravelmente
pela destruição do código social do "ser macho" e do
"ser mulher" e da construção de um novo código social
de solidariedade e humanismo, onde não haja lugar para
discriminação e preconceito, onde a força permita a
mais mulheres tornarem-se guerreiras e lágrimas assumam
nas faces masculinas a simbologia da coragem.
* texto publicado nos Jornais Pelotenses
Diário Popular( dias 15 e 31/03/2001) e Diário da Manhã
Dóris Couto Monitora de Gênero Acadêmica de Ciências
Sociais UNISINOS
A
ALCA e as relações trabalhistas
Nos
sete primeiros dias do próximo mês será
realizado o plebiscito no qual o povo será convidado
a dar sua opinião a respeito da Área de
Livre Comércio das Américas (ALCA). Mas
qual o impacto desse "livre" comércio
nas relações trabalhistas?. Bem, esse
impacto já está sendo sentido por trabalhadores
e seus representantes.
O processo de
instalação da ALCA começou no inicio
do governo FHC com a extinção da política
salarial existente e com a criação do
Instituto da Livre Negociação. Apenas
o instituto, sem nenhuma garantia ou instrumento, não
é capaz de assegurar minimamente uma negociação
equilibrada, muito pelo contrário, chegou a orientar
os tribunais para que não concedessem as reposições
de perdas ou índices inflacionários, mas
isso representava apenas o começo. Também
foi criado o banco de horas, que faz com que os trabalhadores
trabalhem mais mas não recebam por isso, e o
contrato temporário, que reduz drasticamente
os direitos de quem trabalha.
A intenção
do governo, agora, é acabar agora com as garantias
históricas dos trabalhadores rasgando a CLT.
A proposta já foi aprovada pela câmara
de deputados e falta ser votada no senado. Caso o senado
aprove, o direito a férias, 13º salário,
estabilidade gestante, estabilidade acidentária
e tantos outros direitos deixam de ser leis e passam
a fazer parte das mesas de livre negociação
entre patrões e empregados, tudo isso porque
com o tratado da ALCA o principal critério de
competitividade entre os países vai ser a mão-de-obra
mais barata.
Na área
da alimentação o impacto da criação
da ALCA nas empresas de médio e pequeno porte
será brutal. Tememos que a grande maioria não
resista , pois ficarão em concorrência
direta, sem nenhuma proteção, com grandes
grupos internacionais altamente subsidiados em seus
países e, com certeza, nossas empresas também
enfrentaram alguns processos de dumping.
Portanto, o primeiro e principal desafio dos trabalhadores
e seus representantes é impedir que o governo
ingresse no processo que torna real a ALCA. Segundo,
é preciso resistir com todas as forças
contra a flexibilização dos direitos trabalhistas.
Sabemos que, caso não consigamos evitar o pior,
seremos remetidos a um retrocesso de 150 anos, no mínimo.
Aí, com certeza teremos que alterar a nossa concepção
sindical talvez com outras formas de organizar e resistir,
mas isso é para um futuro que, esperamos, não
venha a acontecer.
Presidente da FTIARS, Darci
Pires da Rocha
Momento
atual
Quem lê jornal, assiste
a televisão ou escuta rádio percebe o
ataque generalizado desses meios contra as organizações
dos trabalhadores através dos deputados de partidos
de direita e seus aliados. Quem comanda os programas
de televisão são os mesmos que apoiaram
a flexibilização da CLT, os que querem
acabar com as férias, décimo terceiro,
licença gestante, seguro acidente e outros direitos
históricos dos trabalhadores. São os mesmos
que apoiaram e apóiam as privatizações,
que, diga-se de passagem, estão mal explicadas.
A Vale
do Rio Doce, por exemplo, sofre forte suspeita de corrupção.
A mídia saúda a chegada de alimentos transgênicos
(modificados geneticamente) visando ao lucro fácil
sem se preocupar com o meio ambiente e a saúde
da população. Os mesmos que atacam o MST,
defendem que um único cidadão se aproprie
de um pedaço de terra superior a dimensão
de vários municípios (Áreas improdutivas
com mais de 14,5 mil hectares) e dizem também
que tal área produz 300 empregos. Vamos fazer
uma pequena reflexão: 14,5 hectares correspondem
a 659 módulos de terra. Cada módulo serve
para assentar uma família de quatro pessoas.
Isso corresponderia a aproximadamente 2.636 empregos.
Conforme dados estatísticos, para cada emprego
no campo, são produzidos quatro na cidade. Então
estes números poderiam chegar a 10.545 empregos.
Estes
mesmos estão no governo há seis anos e
o que produziram foi desemprego em massa, com números
alarmantes. Aí também vale lembrar que
quem fica desempregado na cidade e vive de aluguel,
não tem saída a não ser a ponte.
Para sobreviver existem três caminhos: roubar
e correr o risco de ser morto ou preso; ser camelô,
correndo o risco de perder a mercadoria quando perseguido
pela polícia a mando do mercado formal; ir para
o MST em busca de um pedaço de terra e um prato
de comida, esse, diga-se de passagem, é o caminho
mais correto porque, em um país como o Brasil,
com todas as terras que existe, não é
justo que alguém passe fome.
E os nossos
perseguidores clamam por segurança, mas ao desempregar,
contribuem para diminui-la. Excluem das cidades quem
excluíram do campo através da concentração
de terras. E aí nos perguntamos para aonde vamos:
morrer de fome ou lutar? Para a dignidade de um homem,
é melhor morrer na luta do que de fome, mesmo
sabendo que a batalha é desigual. Enquanto temos
paus e enxadas, foices e bandeiras, eles têm escopetas,
fuzis e outras armas pesadas.
Presidente da FTIARS, Darci
Pires da Rocha
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