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Dia Mundial da Alimentação

Em 1974, em Roma, durante a Conferência Mundial de Alimentos, cento e trinta países assinaram a "Declaração sobre a Eliminação Definitiva da Fome e da Desnutrição no Mundo". Um dos trechos dessa declaração dizia o seguinte: "Cada homem, mulher, criança tem o direito inalienável de ser libertado da fome e da desnutrição." Naquela época, se fazia uma previsão de que, para isso acontecer, a produção de alimentos teria que crescer 4% ao ano.

Nessa declaração há também um trecho que ficou para a história apenas como mais um trecho escrito num documento oficial, que, de muito longe, deixou de ser cumprido. Esse trecho dizia o seguinte: "Daqui a dez anos nenhuma criança deverá dormir com fome, nenhuma família deverá viver no temor da falta de pão para o dia seguinte e o futuro e a capacitação de qualquer ser humano não deverão ser comprometidos pela má nutrição". Era uma declaração assinada pelos governantes de todos os países do mundo praticamente.

Hoje, 29 anos depois, meus amigos, a situação é muito mais grave. Naquela época, o mundo tinha 500 milhões de pessoas que viviam sem alimentação digna ou, pelo menos, não tinham alimentação que correspondia às necessidades alimentares previstas pela Organização Mundial da Saúde. Atualmente, tem quase um bilhão. Portanto, dobrou o número de pessoas que, naquele ano, estavam subnutridas, desnutridas ou simplesmente não se alimentavam de forma adequada.

No Brasil, dados oficiais apontam 9 milhões de famílias ou 32 milhões de brasileiros que não comem de forma adequada. Já estamos cansados de ouvir a repetição de números e dados, inclusive. Na verdade, as pessoas estão muito mais preocupadas em fazer diagnósticos do que em apontar soluções para esse drama da fome e da miséria. São 70 milhões os brasileiros que não comem o suficiente para alcançar as 2.420 calorias recomendadas pela Organização Mundial da Saúde. Isso corresponde a 50% das famílias brasileiras, que não se alimentam de forma conveniente.

Mas hoje estou otimista com o Programa Fome Zero do Governo Federal e espero que na próxima comemoração do Dia Mundial da Alimentação os dados oficiais tenham mudado e muito. Este dia é Marcado como a nossa Luta Por uma Alimentação SAUDÁVEL e Sem TRANSGÊNICOS.

 

16 de outubro de 2003.
Luis Carlos Mousquer - Presidente Sindicato dos Trabalhadores nas Industrias da Alimentação de Santo Ângelo e Região - Sintriasa.

 

 
 
 
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