Comissão
da
Câmara
aprova
redução
da
jornada
de
trabalho
A
CCJ
(Comissão
de
Constituição
e
Justiça)
da
Câmara
dos
Deputados
deu
na
quarta-feira,
dia
17,
parecer
favorável
à
redução
da
jornada
de
trabalho
de
44
horas
para
40
horas
semanais.
A
decisão
é
o
primeiro
passo
para
a
reforma
trabalhista,
que
começa
a
chegar
ao
Congresso
no
final
deste
ano.
A
PEC
393
(Proposta
de
Emenda
à
Constituição)
é
de
autoria
do
deputado
federal
Inácio
Arruda
(PC
do
B-CE).
Segundo
o
senador
Paulo
Paim
(PT-RS),
um
dos
signatários
da
proposta,
o
objetivo
é
possibilitar
um
aumento
na
oferta
de
emprego
no
país,
e
"progressivamente"
a
jornada
de
trabalho
pode
chegar
a
35
horas.
A
proposta
deve
agora
passar
por
uma
Comissão
Especial
a
ser
instalada
pelo
presidente
da
Câmara
dos
Deputados,
João
Paulo
Cunha
(
PT-SP)
-
não
há
prazo
regimental
para
que
isso
aconteça.
Como
nas
reformas
da
Previdência
e
tributária,
são
necessárias
40
sessões
para
que
o
tema
seja
levado
em
votação
em
plenário.
Durante
as
sessões,
o
relator
da
Comissão
pode
promover
audiências
públicas
na
Câmara
e
nos
Estados
para
debater
a
redução
da
jornada
com
representantes
da
sociedade.
Centrais
sindicais
Os
presidentes
das
duas
maiores
centrais
sindicais
do
país,
a
CUT
(Central
Única
dos
Trabalhadores)
e
a
Força
Sindical,
apóiam
a
idéia
de
reduzir
a
jornada
de
trabalho
desde
que
isso
não
acarrete
redução
salarial.
"Não
há
dúvidas
de
que
a
medida
pode
gerar
milhões
de
postos
de
trabalho
no
país",
disse
Paulo
Pereira
da
Silva,
o
Paulinho,
em
nota
divulgada
pela
Força
Sindical
há
duas
semanas.
Segundo
ele
a
proposta
propiciaria
o
aumento
do
consumo,
estimulando,
consequentemente,
o
crescimento
econômico.
O
presidente
da
CUT,
Luiz
Marinho,
afirmou
que
agora
"é
o
momento
ideal
(para
reduzir
a
jornada).
Podemos
discutir
agora
e
implementar
no
ano
que
vem".
Ele
disse
que
os
empresários
sempre
reclamaram
da
medida,
lembrando
que
em
1998
já
houve
uma
redução
na
jornada.
"Quebrou
alguma
empresa?
Alguém
morreu?
É
economicamente
suportável
e
totalmente
justo",
diz.
Segundo
Marinho,
com
a
redução
da
jornada
de
trabalho
podem
ser
criados
até
3,5
milhões
de
empregos,
1,5
milhão
a
mais
do
que
prevê
o
governo.
Empresas
O
diretor-executivo
do
Iedi
(Instituto
de
Estudos
para
o
Desenvolvimento
Industrial),
Júlio
de
Almeida,
afirma
que
é
difícil
determinar
o
efeito
da
medida.
"O
que
é
instintivamente
razoável
nem
sempre
acontece.
Redução
de
jornada
e
aumento
de
postos
de
trabalho
não
têm
uma
relação
linear",
avalia.
Governo
O
ministro
do
Trabalho,
Jaques
Wagner,
disse
que
não
há
nenhuma
proposta
do
governo
para
reduzir
a
jornada.
O
que
houve,
segundo
ele,
foi
uma
hipótese
proposta
pelo
ministro
Guido
Mantega
(Planejamento).
"Já
deixei
claro
que
é
o
Fórum
Nacional
do
Trabalho
que
vai
decidir",
disse.
Wagner
destacou,
no
entanto,
que
a
diminuição
da
jornada
é
uma
"discussão
mundial"
e
que
em
várias
empresas
os
trabalhadores
já
cumprem
40
horas
semanais.
Fonte:
Folha
Online,
em
Brasília.